27 agosto, 2010
Extremos do Mergulho
Mergulhar em busca de alimento, para salvamento, ou para fins militares é uma tradição antiga. Afora a falta de ar, a principal dificuldade experimentada por um mergulhador é o efeito entre a profundidade do mar e a pressão, e entre essa sobre o volume dos gases, explicada pela Lei de Boyle.
Uma coluna de água do mar com 10m de altura exerce sobre seu fundo a pressão de 1 atm. Normalmente, um mergulhe respirando ar está exposto ao nitrogênio, ao oxigênio e ao dióxido de carbono, e cada um destes gases pode, quando sob alta pressão, provocar distúrbios funcionais importantes.

O gás carbônico: Se o equipamento de mergulho tiver sido adequadamente projetado e estiver funcionando corretamente, o mergulhador não terá problemas decorrentes de intoxicação pelo dióxido de carbono, pois a profundidade por si só, não faz aumentar a pressão parcial de dióxido de carbono nos alvéolos. Isso é verdade, porque a profundidade não faz aumentar a taxa de produção de dióxido de carbono pelos tecidos do corpo, desde que o mergulhador continue a respirar com um volume na mesma proporção em que este é formado, mantendo assim normal a pressão parcial de dióxido de carbono no ar alveolar. Entretanto, se houver acúmulo de dióxido de carbono no espaço morto do equipamento, ele é reinalado pelo mergulhador. Acima do nível de 80 mmHg de CO2 a situação torna-se intolerável e o centro respiratório começa a ser deprimido, ao invés de excitado, em conseqüência dos efeitos negativos da pressão do CO2. A ventilação do mergulhador começa então a falhar ao invés de ter atuação compensadora. Além disso, o mergulhador desenvolve intensa acidose respiratória, seguem-se letargia, narcose e, finalmente, anestesia.
O Nitrogênio: À pressão existente ao nível do mar, o nitrogênio não exerce nenhum efeito conhecido sobre as funções corporais, mas, sob altas pressões, ele pode causar graus variáveis de narcose. Quando o mergulhador permanece abaixo da superfície do mar respirando ar comprimido por 1h ou mais, os primeiros sintomas de narcose leve aparecem à profundidade de cerca de 36,5m, apresentando euforia. Se permanecer por muito tempo, abaixo dos 15m, fica quase que inerte. A narcose pelo nitrogênio tem características similares às da intoxicação pelo álcool e, por esta razão, tem sido frequentemente chamada de “embriaguez das profundezas”.

O oxigênio: Como resultado do processo do metabolismo do oxigênio, produzem-se radicais livres com grande capacidade para reagir quimicamente com os tecidos do corpo, e isso se acentua à medida que a pressão se eleva. Como efeito, a exposição a uma pressão de oxigênio da 4 atm por mais de 30 min causa convulsões seguidas de coma na maioria das pessoas.
Outras manifestações de intoxicação pelo oxigênio são náuseas, fasciculações musculares, tonteiras, distúrbios visuais, irritabilidade e desorientação.
Uma coluna de água do mar com 10m de altura exerce sobre seu fundo a pressão de 1 atm. Normalmente, um mergulhe respirando ar está exposto ao nitrogênio, ao oxigênio e ao dióxido de carbono, e cada um destes gases pode, quando sob alta pressão, provocar distúrbios funcionais importantes.

O gás carbônico: Se o equipamento de mergulho tiver sido adequadamente projetado e estiver funcionando corretamente, o mergulhador não terá problemas decorrentes de intoxicação pelo dióxido de carbono, pois a profundidade por si só, não faz aumentar a pressão parcial de dióxido de carbono nos alvéolos. Isso é verdade, porque a profundidade não faz aumentar a taxa de produção de dióxido de carbono pelos tecidos do corpo, desde que o mergulhador continue a respirar com um volume na mesma proporção em que este é formado, mantendo assim normal a pressão parcial de dióxido de carbono no ar alveolar. Entretanto, se houver acúmulo de dióxido de carbono no espaço morto do equipamento, ele é reinalado pelo mergulhador. Acima do nível de 80 mmHg de CO2 a situação torna-se intolerável e o centro respiratório começa a ser deprimido, ao invés de excitado, em conseqüência dos efeitos negativos da pressão do CO2. A ventilação do mergulhador começa então a falhar ao invés de ter atuação compensadora. Além disso, o mergulhador desenvolve intensa acidose respiratória, seguem-se letargia, narcose e, finalmente, anestesia.
O Nitrogênio: À pressão existente ao nível do mar, o nitrogênio não exerce nenhum efeito conhecido sobre as funções corporais, mas, sob altas pressões, ele pode causar graus variáveis de narcose. Quando o mergulhador permanece abaixo da superfície do mar respirando ar comprimido por 1h ou mais, os primeiros sintomas de narcose leve aparecem à profundidade de cerca de 36,5m, apresentando euforia. Se permanecer por muito tempo, abaixo dos 15m, fica quase que inerte. A narcose pelo nitrogênio tem características similares às da intoxicação pelo álcool e, por esta razão, tem sido frequentemente chamada de “embriaguez das profundezas”.
O oxigênio: Como resultado do processo do metabolismo do oxigênio, produzem-se radicais livres com grande capacidade para reagir quimicamente com os tecidos do corpo, e isso se acentua à medida que a pressão se eleva. Como efeito, a exposição a uma pressão de oxigênio da 4 atm por mais de 30 min causa convulsões seguidas de coma na maioria das pessoas.
Outras manifestações de intoxicação pelo oxigênio são náuseas, fasciculações musculares, tonteiras, distúrbios visuais, irritabilidade e desorientação.
Super Humanos - Ecolocalização

Os seres humanos possuem capacidades fantásticas de adaptabilidade às adversidade encontradas. Às vezes nós mesmos desconhecemos a extensão de nossas capacidades, que só se manifestam quando nos encontramos em situações extremas. Os super-heróis tão populares na cultura ocidental, por exemplo, representam justamente essa ideia: a da existência de habilidades que vão além do comum.
Não é necessário, porém, apelar para a fantasia para podermos testemunhar as incríveis capacidades dos seres humanos. Existem pessoas reais, acreditem ou não, que como o super-herói dos quadrinhos: o Demolidor conseguem se guiar através de técnicas que se assemelham a sonares, ou seja, se baseiam no eco produzido pela reflexão dos sons nos objetos para se guiarem.
Nosso primeiro exemplo de pessoas que possuem essa incrível habilidade é Ben Underwood. Bem foi diagnosticado com Retinoblastoma bilateral ( câncer nos olhos, de forma bem grosseira) quando não tinha nem dois meses de vida, e perdeu completamente a visão nos dois olhos quando aos dois anos de idade. Com o tempo, Bem, então, desenvolveu a incrível habilidade de ecolocalização. Ele emitia frequentes sons de “click” com a língua, e utilizava o eco utilizado por isso para se guiar. Bem se recusava usar os bastões guia, geralmente utilizado por deficientes visuais, pois ele dizia que estes eram para deficientes, e ele não se considerava uma pessoa debilitada de qualquer maneira. Com isso, Ben praticava corrida, basquete, andava de patins, enfim, vivia a vida como se uma pessoa sem nenhuma dificuldade visual. Até mesmo sua mãe dizia que as vezes esquecia que o filho era deficiente visual. Na foto abaixo vemos Ben se equilibrando em um hidrante sem a necessidade de qualquer auxilio.

Outro exemplo fantástico de pessoas que conseguem utilizar a ecolocalização é o de Daniel Kish. Daniel utiliza um mecanismo que frequentemente produz os barulhos de “click”, e ele também utilizava estes para se guiar. Porém, diferente de Ben, Daniel utilizava os bastões guia também para produzir sons, e aliava as duas técnicas para melhor se guiar. Kish leciona a ecolocalização para deficientes visuais, e, além disso, pratica e leciona mountain-biking e escalada para pessoas com deficiência ( e ele é muito bom nisso!). Abaixo vemos Daniel praticando mountain-biking.

Vale lembrar que devido às limitações auditivas e da frequência dos sons que os seres humanos são capazes de emitir, a habilidade de ecolocalização dos seres humanos consegue apenas identificar o tamanho e a posição de objetos relativamente grandes, não se comparando, portanto, às técnicas análogas que alguns animais possuem, como por exemplo os morcegos.
Extremos do Sono – Conceitos e Recorde Mundial

Randy Gardner era apenas um estudante de 17 anos, residente de San Diego, na Califórnia, na época em que quebrou o recorde mundial de maior número de horas sem dormir. Existem alguns dados mostram que o recorde de Randy ( estabelecido em 1964) já foi quebrado, porém ainda considera-se que o recorde pertence a ele, visto que o caso dele foi o único que possuiu o acompanhamento médico e científico necessário para validar o recorde.
Randy ficou 264 horas, ou seja, onze dias, sem dormir e sem utilizar nenhuma substância estimulante, e ele conta que a sua motivação (talvez por rebeldia da adolescência) era simplesmente mostrar que passar muito tempo sem dormir não causava lesões à saúde. Embora ele e até mesmo alguns outros pesquisadores defendam que Randy realmente não sofreu nenhuma injúria considerável, e que este passou os onze dias acordado e em plena saúde, dados e fontes mais confiáveis mostram que não foi bem isso o que aconteceu (até mesmo porque Randy dedicou exclusivamente os onze dias para bater o recorde, ou seja, não continuou com suas práticas diárias) e que passar muitas horas sem dormir pode ser prejudicial à saúde e pode diminuir o desempenho nas atividades cotidianas.
Ficar muito tempo sem dormir, entretanto, não ocorre somente por opção, como no caso de Randy Gardner. Muitas pessoas sofrem com distúrbios de sono e não conseguem dormir as 8 horas de sono recomendadas pelo especialistas, e por isso acabam adquirindo problemas de concentração, mau humor, baixa capacidade de raciocínio e cansaço excessivo. Muitos fatores estão relacionados à perda da capacidade de dormir adequadamente, e conhecer um pouco da bioquímica do sono ajuda a entender alguns deles.
O principal neurotransmissor relacionado com a capacidade de dormir é a melatonina, que é produzida na glândula pineal, a partir de uma cascata de reações a partir do triptofano. A melatonina é produzida principalmente quando a pessoa se encontra em um lugar escuro, por isso as vezes é conhecido como o “hormônio da escuridão” ( hormônio porque, assim como a adrenalina, este se comporta como hormônio e neurotransmissor). A melatonina é produzida a partir do triptofano, e forma a serotonina como composto intermediário, como na figura a seguir:

A serotonina é o neurotransmissor relacionado às sensações prazerosas, sendo que seu déficit contribui para o quadro de depressão ( logo, um dos sintomas da depressão também é a insônia). É interessante o fato de que a serotonina só é produzida se houver a presença de vitamina D, que possui sua síntese auxiliada pela presença das radiações solares. Logo, em um dia em que a exposição ao Sol é constante, ocorre maior formação de serotonina e, de noite, de melatonina, garantindo uma boa noite de sono. Esse processo de síntese, entretanto, não é tão simples assim. Como evidenciado na figura acima, são necessárias diversas moléculas e substâncias, como a vitamina B6, Magnésio, Zinco, dentre outros, para se transformar triptofano em melatonina.
Logo, tratar a insônia e outros distúrbios relacionados ao sono é uma tarefa difícil, visto que se houver deficiência de qualquer um destes acima citados, a produção de melatonina será comprometida. É recomendado, então, que uma pessoa que sofra de distúrbios para dormir frequente um médico ou especialistas a fim de descobrir a causa do problema e tratá-lo de forma mais racional e eficiente.
24 agosto, 2010
Extremos da Temperatura - Nova marca no Guinness
O mais bizarro foi o israelense que passou 66 horas sepultado em um bloco de gelo de oito toneladas, tudo para bater o recorde de David Blaine. Hezi Dayan foi selado em um grande bloco de gelo na praça dos Rabinos em Tel Aviv( Rabin Square in Tel Aviv). Com 29 anos de idade, vestindo apenas uma camisa e um jeans, o israelita quebra o recorde.Embora centenas de fãs aparecerem para vê-lo, ele se dizia fraco para comemorar e foi rapidamente levado pela ambulância.
Como todos sabem, o corpo humano não consegue resitir a grandes variações de temperatura interna. Aproximadamente aos 42°C, as proteínas começam a degradar e todo o corpo entra em pane. No frio, o metabolismo cai, mas não é tão fatal quanto o calor. O termômetro precisa descer ,aproximadamente, até 20°C. Em ambientes úmidos - no caso do mágico-, a transpiração evapora com mais dificuldade, por isso sentimos mais as temperaturas elevadas. Para enfrentar o frio, o organismo faz a pessoa tremer e ,sintetizar mais, as termogeninas.
Fazendo uma análise geral, a capacidade de resistência do corpo humano depende da temperatura externa, da umidade, do vento, do tempo de exposição ao meio e da maneira que a pessoa está exposta(com ou sem roupas).
Video durante a apresentação : http://www.youtube.com/watch?v=59o02QXY2SE&feature=player_embedded
Video libertando o mágico: http://www.youtube.com/watch?v=QfVVfgacnu4&feature=player_embedded
13 agosto, 2010
Extremos da Temperatura - Resistência ao calor por atletas
Faleceu, dia 07 de agosto deste ano, o russo Vladimir Ladyzhensky, finalista do campeonato mundial de sauna, realizado em Heinola, na Finlândia. As regras desse campeonato são bem simples: os participantes são submetidos a uma temperatura de 110°C, e aquele que conseguir suportar mais tempo dentro da sauna e sair sem ajuda e conscientemente vence. Vladimir Ladyzhensky e seu adversário, Timo Kaukonen, já estavam a mais de 6 minutos dentro da sauna competindo quando a equipe de médicos e organizadores notou que os competidores não estavam mais em condições de competir e interromperam a prova. Ambos foram encaminhados ao hospital, porém Ladyzhensky não resistiu e morreu no caminho. Timo Kaukonen está em estado grave, porém estável, internado no hospital.Os competidores desse esporte de resistência extrema desenvolveram um quadro de hipertermia, que se estabelece quando a temperatura corpórea ultrapassa o limiar dos 38,3 °C. Um espectador presente na ocasião relatou de Ladyzhensky apresentava convulsões e contrações musculares espasmódicas. Esses efeitos, assim como diversos outros apresentados quando num quadro de hipertermia, se devem principalmente
à perda excessiva de água pela transpiração, o primordial mecanismo de resfriamento do corpo. Essa perda excessiva de suor leva também a uma perda de eletrólitos pelo organismo (como cálcio, por exemplo) responsáveis pelo controle da contração muscular e de diversos outros mecanismos do corpo, fazendo com que a perda de água e sais em excesso leve à disfunção múltipla de órgãos.O corpo dos atletas, porém, possui uma adaptação que garante maior resistência à presença de elevadas temperaturas. Antes, todavia, é importante conhecer o conceito de endotoxina: é uma toxina de origem bacteriana que faz parte da estrutura desse organismo, e que não é produzida com finalidades parasitórias ou de infecção por parte da bactéria ( é simplesmente um conjunto de moléculas que fazem parte da constituição da bactéria)que são liberadas apenas quando da morte ou destruição desses organismos. Assim sendo, sabe-se que o lúmen do intestino possui uma quantidade significativa de bactérias que vivem em simbiose com o corpo humano, e de bactérias que são ingeridas durante o dia-a-dia . Essas bactérias possuem endotoxinas que liberam citoquinas, que são agentes pró-inflamatórios, aumentando então a temperatura do corpo (nesse caso através da febre). Atletas treinados possuem um maior aporte cardiovascular, garantindo, além de uma maior perda de calor através dos vasos sanguíneos dilatados (característicos da hipertermia), uma maior irrigação vascular na região gastrointestinal, o que favorece a entrada e o movimento continuo dessas endotoxinas no sangue, impedindo que estas se acumulem no tecido da região, evitando, então, a febre induzida por endotoxinas ( isso evita que os efeitos da febre se acumulem aos efeitos da hipertermia causados, por exemplo, no campeonato de sauna). Já pessoas sedentárias possuem uma menor eficiência de distribuição cardiovascular, fazendo com que ocorra um acúmulo de endotoxinas, e consequentemente de citoquinas, na região da lúmen intestinal, causando além de febre, vomito, diarreia e náuseas
Mais informações sobre os extremos da temperatura se encontram no painel abaixo (apresentado por Eduardo Nasser) que possui informações pertinentes à algumas postagens do blog( ver posts sobre os esquimós, o mágico e este próprio)
05 agosto, 2010
Extremo das Altitudes
Nas grandes altitudes, como no majestoso Monte Evereste (foto acima), na Cordilheira do Himalaia (Ásia Central), o organismo passa por diversas provações e se encontra em condições verdadeiramente extremas. Por curiosidade, vejamos quais são os 14 maiores picos do mundo, cuja escalada é motivo de honra para os alpinistas do todo o mundo:- Everest (8.850 metros), no Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Tibete;
- K-2 (8.611 metros), nos montes Karakoram, no Paquistão;
- Kanchenjunga (8.598 metros), no Himalaia, lado nepalês;
- Lhotse (8.501 metros), Himalaia, lado nepalês;
- Makalu (8.463 metros), Himalaia, lado nepalês;
- Cho Oyu (8.201 metros), Himalaia, lado nepalês;
- Dhaulagiri (8.167 metros), Himalaia, lado nepalês;
- Manaslu (8.156 metros), Himalaia, lado nepalês;
- Annapurna (8.091 metros), Himalaia, lado nepalês;
- Hidden Peak (8.068 metros), montes Karakoram, no Paquistão;
- Broad Peak (8.046 metros), montes Karakoram, no Paquistão;
- Shisha Pangma (8.046 metros), Himalaia, lado tibetano e
Vejamos as condições que levam a esses males. Um dos primeiros sintomas sentidos nas grandes e extremas altitudes é o frio constante, intensificado pelos fortes ventos - que também dão uma sensação de secura do ar. E a estimativa é de que, a cada 100 metros de altura, a temperatura caia de 1ºC.
Além dos problemas clássicos relacionados ao frio - hipotermia, por exemplo -, a baixa temperatura agrava os problemas causados pela principal privação das grandes altitudes: a baixa pressão parcial de oxigênio (PO2), ou seja, a baixa oxigenação.
Depois de toda essa enrolação... quais são então os reflexos dessa baixa pressão de oxigênio no organismo quando escalando ou vivendo em regiões altas? Acontece o que chamamos de Hipóxia (ou Hipóxia de Altitude, no caso), que é o metabolismo em baixa oxigenação (hipo=baixa, oxia=oxigenação). O oxigênio nos é vital por ser o último aceptor de elétrons da cadeia fosforilativa - sem a qual não temos energia o suficiente para manter nosso funcionamento ideal (existem as formas anaeróbicas de produção de energia, mas não são viáveis por muito tempo). Além da produção de energia, o oxigênio, recebendo completamente os elétrons, evita o acúmulo desses elétrons e a formação de espécies eletricamente carregadas e extremamente reativas, as Espécies Reativas de Oxigênio (ERO's) caracterizadas como radicais livres. O corpo sempre procura manter um balanço dessas espécies através de oxidações e reduções. O desbalanço dessas espécies, como o causado pela queda da oxigenação, é chamado de stress oxidativo. O stress oxidativo é extremamente perigoso pois esses radicais livres (entre eles as ERO's) são responsáveis por degradar membranas, organelas e diversos componentes celulares, prejudicando o funcionamento do organismo - proporcionalmente à quantidade de radicais livres.
Um mal muitíssimo comum (cerca de 60% dos alpinistas apresentam) é o Mal das Montanhas,
causado pelo stress oxidativo dos primeiros estágios das escaladas e agravado pelo extremo frio (baixa do sistema imunológico). Seus sintomas são: cefaléia (dores de cabeça), náusea, vômitos (e consequente desidratação), tonturas e prostração (cansaço extremo e desmaios). Pode ser corrigido por antioxidantes (redutores do stress oxidativo), redução do ritmo de subida, descer alguns níveis, suprimento por balão de oxigênio, entre outros. Quando muito elevado (altitudes muito acima de 3000 metros), o stress oxidativo e os outros sintomas podem se agravar e gerar o Mal Agudo das Montanhas, que gera dores de cabeça muito fortes, vertigem, desmaios, vômitos. A vasodilatação no encéfalo pode acabar causando edemas, que veremos posteriormente.Uma das respostas do corpo, de maneira imediata, à hipóxia é a hiperventilação: aumentar o ritmo respiratório (como ao fim dos exercícios físicos e/ou situações de fadiga extrema) para aumentar a captação de O2 no pulmão. É uma estratégia relativamente eficiente num primeiro momento para suprir os órgãos de oxigênio (evitando a hipoxilemia - baixa oxigenação dos órgãos). Juntamente com um aumento no ritmo respiratório, o coração aumenta seu ritmo de bombeamento para que o sangue possa distribuir mais rapidamente o oxigênio captado. Para colaborar com o aumento da circulação, ocorre a vasodilatação e o aumento da permeabilidade dos vasos, para facilitar a passagem de O2 para os órgãos.
O problema em situação de hiperventilação é que o organismo acaba eliminando CO2 em excesso (mais do que capta O2), o que causa uma alcalose do sangue (aumento significativo do pH sanguíneo por falta de ácido carbônico). A alcalose, o aumento da permeabilidade dos vasos e a vasodilatação são os principais responsáveis por causar o vasamento de líquido dos vasos para os órgãos, causando os chamados edemas - especialmente na região da hematose (alvéolospulmonares) e na região encefálica (onde a vasodilatação é bem pronunciada). Os edemas podem matar e devem ser identificados rapidamente: o pulmonar pode matar em poucos dias e o cerebral, em poucas horas.
Mas, com tantos problemas, como é possível que se passem semanas ou até meses (ou mesmo anos, no caso de quem vive nas altitudes) nas grandes altitudes? Existe algum mecanismo de adaptação? A resposta é "sim", existem mecanismos para o que é chamado de período de aclimatação. Acontecem nas duas primeiras semanas em grandes altitudes (mais de 2800 metros, via de regra), e são responsáveis por otimizar o funcionamento do organismo em situação de baixa oxigenação. A lógica da aclimatação é: se o corpo tem pouco oxigênio à disposição, deve-se otimizar a captação do oxigênio do meio. E que "ferramenta" é responsável pela captação eficaz de oxigênio na hematose? A nossa querida ferroproteína sanguínea presente nos glóbulos vermelhos (hemácias): a hemoglobina. O corpo então trabalha para aumentar o nível de hemoglobina no sangue. Detalharemos como isso ocorre a seguir.
Em uma situação de hipóxia, são acionados os HIF's - Hipoxia-Induced Factor's (Fatores Induzidos por Hipóxia), responsáveis por uma série de mudanças metabólicas relacionadas com a produção de eritrócitos (células vermelhas do sangue) - os HIF's atuam na expressão de genes responsáveis pela produção dos fatores necessários nessa eritropoiese, como o ferro e a proteína eritropoietina (EPO). Os HIF's promovem a secreção de EPO pelos rins (e fígado, menos importante), ativa os receptores de EPO na medula óssea, ativa fatores que melhoram a absorção de ferro no sistema digestório, ativa seu armazenamento e seu transporte para a medula óssea.

Com a eritropoietina e o ferro na médula óssea, ocorre a eritropoiese (formação de eritrócitos - hemácias iniciais). Com o aumento do número de eritrócitos e, consequentemente, hemácias, há um aumento na quantidade de hemoglobina no sangue. O objetivo inicial de captação é atingido. Mas com a contínua baixa de oxigenação e eritropoiese mediada por HIF's (mostrada na figura ao lado), o número de hemácias no sangue começa a ser prejudicial: embora haja o aumento significativo na eficiência de captação de oxigênio, a distribuição deste é prejudicada. O aumento de hemácias gera uma aumento proporcional na viscosidade do sangue, que começa a circular mais lentamente. Com isso, a pressão cardíaca é aumentada para tentar circular esse sangue mais viscoso. Mas de pouco adianta o aumento da pressão - só serve para aumentar as chances de rompimentos de vasos e formação de edemas. Por isso os edemas são mais observados depois de algumas semanas em grandes altitudes: juntam-se os fatores de risco iniciais com o aumento de viscosidade do plasma e aumento de pressão sanguínea. Além disso, todos esses fatores estão evolutivamente relacionados com baixa fertilidade em povos que vivem nessas regiões (exceto os tibetanos, e veremos o motivo).
Dos povos que vivem em grandes altitudes, os dois principais são os andinos e os tibetanos. Desses, os tibetanos são os que vivem há mais tempo (dados arqueológicos indicam até 7 milênios de existência, mas há discussão), e uma pesquisa recente (publicada na Science de Julho de 2010) de uma equipe internacional de pesquisadores e cientistas atentou para o fato de os tibetanos, comparados aos demais chineses e outros povos, como os andinos, que vivem em grandes altitudes, terem maior taxa de fertilidade e menos ocorrência de males da montanha. A reportagem da Science sobre o paper pode ser lida ao clicar na imagem:Em suma, a pesquisa mostra traços de uma possível evolução dentro da espécie humana: os tibetanos seriam geneticamente adaptados a enfrentar as condições adversas. A teoria é baseada pelo fato de que a codificação dos genes responsáveis pelos HIF's teria modificações nos tibetanos, o que evitaria a eritropoiese mediada por HIF's, reduzindo drasticamente a quantidade de hemoglobina nos tibetanos. Mas também não haveria o problema da viscosidade sanguínea, pior problema encontrado pelos demais povos de altitude. Além disso, foi atestado que os tibetanos apresentam outros mecanismos que compensam a baixa captação na hora de evitar o stress oxidativo e a eficiência na distribuição do oxigênio captado. Entre esses mecanismos, podem ser descritos o aumento dos capilares (maior eficiência circulatória, menor probabilidade de hipoxilemia),diminuição do número de mitocôndrias (e da necessidade de oxigênio), como mostrado na tabela ao lado, e maior produção de agentes antioxidantes.
Abaixo, painel da apresentação do tema (por Mateus Félix) pelo grupo de extremos, contendo as principais referências bibliográficas do post.
Assinar:
Postagens (Atom)


